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24 de set. de 2012

Anatomia de um instante


Estou a começar. A condição da luz está a favor, o copo com água pela metade já faz marca na madeira, a música de suave estridência já se põe a tocar e minha mãos livres, presas a uma caneta, começam a principiar seu ofício.
Pelo sangue que corre nos vasos sinto que a minha cabeça trabalha mais que minhas mãos. Mas sustento que é de algum outro lugar marginal que martela o princípio da minha ideia. Uma posição dentro de um cenário, uma cor de cabelo vibrante, um lapso de memória, um cordial homem viajante para assumir o gosto do personagem, a invenção de um poste no meio do caminho, uma tosse, uma perna dançante. (...) Enfim, elementos que darão carne e vigor para essa ilusão. 
E apesar de já ter começado, sinto como se desejasse um início mais mirabolante, algo que já anunciasse uma ocasião, que despontasse um culpado, uma amante, um vilão. Falta entendimento. Apago. Começaria de outro tom, com náuseas escuras, com um vento forte, com uma radiola tocando uma música incrédula e agonizante. Isso, isso seria um começo. Espalharia pelo chão uns jornais do amanhã e deixaria que eles engolissem o espaço, com suas notícias, com seu obituário e com seus classificados.
E já com luzes brandas ela pegaria um pincel generoso em grossura e começaria a dançar com o som tocando ao fundo. 
Gosto da ideia dos seus pés nus, sujos, fazendo um esforço pra pegar o pincel do chão. Gosto do pincel vacilando no chão, caindo em todas tentativas, rindo do pé que o tenta. Gosto mais ainda do ritmo ofegante que mantém o que fraqueja. Coragem!
Ela não se abate, rasteja com os pés a tatear um outro instrumento que a possibilite sair da monotonia das letras. Presa naquele cubículo com letras arranjadas em preto e branco não consegue mais ter amor pelas palavras. Só sente vertigem pelas letras dispostas de futuro e fincadas de uma velha idade. 
No canto direito haverá algumas tintas. Frescas. Em baldes aleatórios e desiguais de tamanhos. Ela pisa em um desses baldes e tintas respingam ao seu redor. Faz uma cara de gozo pela sensação de tocar seus pés desnudos e sujos naquela poça fresca, líquida e em temperatura ambiente.
Gloriosa, retornará ao pincel com um destemido olhar de superioridade. Reinando sobre aquele instrumento toda sua raiva e desprezo.
Venci, dirá com os gestos uma única vez. Mesmo que seu inimigo jamais compreenda sua linguagem de orgulho frente um anterior fracasso. Esse é um divertimento que pertence tão somente às almas que um dia foram provadas, esquecidas, ignoradas ou diminuídas. Passo de uma dança que só satisfaz a si.
A sua monotonia voltou tão ligeiro quanto a tinta secou no papel e podia-se ver entre as brechas que não estavam pintadas ainda muitas letras em preto e branco opulente, mesmo que agora incompletas, rabiscadas e encarnadas de respingos raivosos. Apagaram-se? Podia-se dizer que vencido estava o amanhã?
Não se sabe e não se nota ânimo algum em sua figura. Ficou suspensa como quem vence uma batalha anunciada.
Já o pincel, inerte como uma letra vazia ou como uma tinta isolada respingada no chão, continuou a afrontá-la e a remoer o seu fracasso (mesmo que sem nervos para isso).
Ela pensou em desafiá-lo novamente, só pra sentir seu sangue escorrer pelas veias com algum sentido pra viver, mas já estava tarde e a tinta da caneta também já falhava.

--
Ilustração de Erika Kuhn - http://erikakuhn.blogspot.com.br/
Música de fundo: http://www.youtube.com/watch?v=WHRR7ZnIcMs

9 de ago. de 2012

A rebelião de Léo Ferré

Mais um post sobre música. Isso se deve ao fato de eu estar musicando meus momentos. Ando ouvindo menos, por incrível que pareça, bem menos do que costumo ouvir. A menoridade também se deve as opções, pois ando ouvindo poucos discos e de poucos artistas. Quase não tô ligada nos lançamentos. Ando me dedicando aos artistas/bandas pontuais que os amigos andam me apresentando ou que por ventura eu ouça/leia/veja algum sopro a mais de interessância por aí afora. Um detalhe importantíssimo e curioso (dada a minha preferência musical por música brasileira) se deve ao fato de que a maioria dos artistas que eu ando escutando ultimamente são de fora do Brasil. Além de Sigur Rós, hoje fui vasculhar um pouco sobre Léo Ferré. E isso se deve a história a seguir: Assistindo ao Jô uma noite dessas lembro de ter ficado atônita com uma canção que o Ivan lins cantou no palco chamada 'atrás poeria'. Ivan lins cantou acompanhado de uma viola caipira (belíssima) e mesmo desafinando um pouco me tocou profundamente com aquela letra e com aquela melodia. O Jô assim que ele terminou de cantar comparou sua canção com as do músico Léo Ferré (um músico de nacionalidade franco-monegasca).  Ivan reconheceu de pronto as influências de Léo em seu trabalho e isso bastou para que eu me interessasse por aquele músico ali mencionado. Anotei seu nome e fiquei de procurar algo na internet que me apresentasse sua história e sua musicalidade. 
Desde o programa do Jô devem ter passado algumas longas semanas e eu, vagarosa, recordei apenas hoje da tal música do Ivan Lins e do tal cantor que o influenciou. Encontrei na wikipedia as primeiras informações sobre esse sujeito, mas foi no  youtube que encontrei alguns vídeos de suas canções. Como não sei ler francês recorri aos tradutores virtuais em busca de algo que me situasse nas letras. De fato toda poesia que imaginei estava lá e a semelhança com a letra do Ivan também. Um quê de nostalgia mas também de gozo, de luta e força pelo drama que é existir. Mas a música, de forma incrível e espantosa, rompe com o engessamento de uma linguagem específica e por isso logo desisti do tradutor e permiti que a sonoridade da canção falasse mais forte que sua gramática. Ouvi suas canções a tarde inteira (que estão disponíveis no youtube) e fiquei bem desapontada por não encontrar um linkizinho de download sequer que me oferecesse a oportunidade de baixar seus discos. 
Continuo pesquisando, quem sabe encontre algum material sonoro em boa qualidade compartilhado por alguma alma generosa que quis dividir Léo Ferré com a humanidade. 
Sigo comovida com seu talento, com suas doses de rebelião pela humanidade e pelo legado cultural que ele deixou pra nós, ardentes por vozes, cérebros e corações dispostos a cantar o indizível.



Encontrei vários links interessantes sobre a a obra de Léo Ferré¹:



¹Traduzindo a página da web dá para ler todos links em português.






6 de ago. de 2012

Sobre a estranheza de uma música ardente

É tarde. No relógio, nas turbinas e na tal intensidade.
Sim, faz um tempo considerável que eu não venho tirar as poeiras que se amontoam por aqui. Ando sem pressa mas com muita fome.Vivendo ao vento apesar de achar que ele tem batido forte demais na minha janela.
Muita calma. Seguiremos adiante.
Foi assim que me chegou aos ouvidos Sigur Rós. Agora você imagina porque eu simplesmente amei essa banda islandesa que dança com os instrumentos e faz uns barulhos parecidos com os meus e com os do vento que bate na minha janela.
Se minha vida tem uma trilha, melhor dizendo, se essa tomada da minha vida tivesse alguma trilha com certeza eles estariam lá com seus elementos etéreos. 
Apesar de muito íntimo ( essa conexão de forças que findam em um som agradável ao ouvidos e ao coração) suponho que o blog tem esse quê de intimidade e que vocês ( que eu não sei o tamanho da pluralidade) mereciam também se esbarrar com o som deles. 
Já aviso: Sigur Rós tem vocais mas é em grande parte instrumental. Ah, também espalham por aí que eu tenho um gosto musical duvidoso e um ouvido peculiar (minha irmã lê como estranho) para os sons tal como tenho para os sentimentos e suas afetações. 
Eu gosto de ser assim e fico espantadamente feliz por saber que lá na Islândia (que é longe pra dedéu do meu Ceará) tem umas pessoas tão estranhas quanto eu que fazem uma música danada de boa pra desassossegar a alma. 
Não é espantoso que de tão longe chegue tão perto?
Eu acho e  me perco.

Espero que gostem!

Baixei o disco deles aqui.
Para acessar a página deles no facebook é só clicar aqui
E abaixo tem um videoclipe incrível da Música Hoppipolla. 







25 de mai. de 2012

Mallu, de fato.

Conheci a Mallu, de fato, há uns 9 meses. Tempo do burburinho para a concepção do seu disco Pitanga. Digo conhecer, por que considero essa palavra para além do 'passar a vista' ou 'ter conhecimento de sua existência'. Creio que quando paramos (literalmente falando) para ouvir/ler/ver um artista nos implicamos em conhecê-lo. Aproximamo-nos de sua obra, de seu estilo, de suas composições, do seu ritmo. Por isso, não conhecia nada de Mallu Magalhães, nunca tinha parado para ouvi-la. Lancei-me esse convite 9 meses atrás. 
Como já disse em outras ocasiões amo/compro/baixo discos pela capa, pelo nome, pela estrangeiridade que ele me provoca. Então, gostei do pitanga logo de cara. O nome tem uma sonoridade de prova, de deliciamento mesmo. Comecei aos pouquinhos a provar dessa fruta. Acessei o blog dela, acompanhei seus relatos bem honestos sobre a feitura do disco, dia a dia fui observando o processo experimental da concepção do Pitanga, os vários instrumentos, os arranjos, a produção e presença linda do Marcelo Camelo. Assim nasceu o disco novo da Mallu e meu carinho por ela. 
Gostei e muito do que conheci. Tudo tão bem cuidado, verdadeiro, cheio de tesão. Músicas rizomáticas, com instrumentos diversos, com inspirações de tantos lugares. Isso é Pitanga! 
Mallu apresentou o disco no show na brasa, na MTV. Ficou supimpa! Vale todos os 49 minutos e 24 segundos de exibição.  

Mallu apresenta Pitanga no Show na brasa. 

_________________________________
Foto retirada por prt sc do clipe Velha e louca da Mallu Magalhães.
   

9 de fev. de 2012

Festa imodesta

"No começo achei que era um disco de amor à música.
Mas no final vi que é um disco de amor."

Chico, sobre o disco.



Dia voa é um documentário dirigido por Bruno Natal
 que retrata a concepção de Chico, 
novo disco de Chico Buarque. 

27 de jan. de 2012

Mas a música, essa palavra ...

Me diziam todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua

Do chico,
História de uma Gata.

Do susto formamos um inteiro. Foi bem amador mesmo, havia de ser desse jeito. Como instrumentos tínhamos uns tostões de alegria e uma vontade teimosa de conversar desvarios. Foi isso, então, que utilizamos de suporte para as notas que viriam pela frente. A nossa gasolina era os fardos de uma psicologia qualquer e um bom sofá vinho (se não me engano!) de uma casa frondosa, arejada e convidativa para bons afetos. 
Tudo sempre foi uma brincadeira para amenizar o tédio, um afago para equalizar os papéis, os artigos e o marasmo de estudar algo insano. Aceitamos entrar na roda, precisávamos de música. Não necessariamente do metiê que a circunda, mas da traquinagem que subverte a lógica de ter lógica disso tudo. Mergulhamos e quase nos afogamos nisso tudo. Brincantes de ensaio, éramos amigos embevecidos entre cordas e teclas afins e destoantes. 
Isso aconteceu umas duas ou três vezes, inteiras. As outras foram em bandas. E depois muita coisa sucedeu em nossa estrada ; um semestre conturbado; uma greve de estudantes ; natal com prova pra estudar ; janeiro sem férias ...
Eis que hoje, nessa manhã gloriosa que anuncia nosso primeiro dia de férias, recebo um vídeo de um dos nossos encontros. Assisti 1, 2, 3, 4, 5 vezes. Ri várias vezes da nossa cara-de-pau, do pronome transvisto e das caras e bocas em cena. Como se estivesse naquela sala revivi nossos dias de Ensaio, de bagunça e de felicidade. 
Que isso seja um prelúdio de dias incríveis, daqueles que a gente retorna em algum outro momento e agradece por ter vivido. Exatamente como fiz hoje! 




Banda Ensaio é: Jéssica Tarcyla (Teclados) / Adriane Cisne (Violões) / Gabriela Vieira (Violões e backs) / Kércio Prestes (Violões) / Thamila Santos (Vocais) / Paulo Henrique (Produtor, poeta e letrista).


Música: História de uma gata - Chico Buarque

24 de dez. de 2011

Cores no varal e poesia na cabeça.


Pedaços de sons e afetos que me embalaram dias, noites e tudo o mais que me surgiu como aventura desventura nesse ano de 2011. Lógico que tem mais, muito mais. Mas esses, em especial, merecem minha declaração de amor em público.

- Arnaldo Antunes, Ao vivo lá em casa (2010)
- Silva, Ep Silva (2011)
- Vanguart, Boa parte de mim vai embora (2011)
-Cícero, Canções de apartamento (2011)
- Tibério Azul, Bandarra (2011) ps. Dica da querida Mayara Aranda.
- Graveola e o lixo polifônico, Eu preciso de um liquidificador (2011)

20 de jun. de 2011

Reinvento


Reinvento
Composição : Estrela Ruiz e Ceumar

não querer ser sempre
para pra sempre ser
isso eu aprendi com o vento
saudade eu tenho de tudo
o que a gente vai viver
mas ainda não teve tempo
tudo o que é leve
o vento leva
eu quero aprender um jeito
de reinventar
certeza ou tristeza
de qualquer jeito o vento vai levar
na brisa do mar
no sopro da vela
ao se apagar

28 de abr. de 2011

Disritmia,música e outros fins.


Velocidade musicada. Desespero adocicado com acordes alheios. Tão meus. Tão nossos a partir de então!
Música, deconexa, de artistas diversos, que fazem companhia as diversas de mim. É assim que apresento à vocês os quatro discos que tenho escutado nessas últimas semanas por aí.

O primeiro disco é antigo e novo pra mim. Ele é de 2006 e eu só ouvi em 2011.  - Ode descontínua e remota para flauta e oboé - de Ariana para Dionísio. Dez poemas musicados de Hilda Hilst musicados pelo maranhense Zeca Baleiro ,cantado e degustado por algumas brasileiras maravilhosas. Disco denso, palpitado, que não almeja um ouvidor intérprete, curioso ou apressado; apenas deseja um amante ávido, trôpego, que quer água pra aumentar a sede e sede pra saciar a embriaguez!

O segundo é do mesmo estilo do primeiro. Denso, dramático, intenso, rasgado ... sangrado! Fala (e clama) de amor do início ao fim de suas 7 faixas, um amor doído, de desencontros. Quem recita esse amor é Filipe Catto em sua SAGA, um gaúcho talentoso, visceral, que seduz com seu timbre caótico e faz a gente ansear por mais,bem mais ... O disco é todo LINDO, vale cada minuto de tempo gasto ( e bem gasto) com ele. 

O terceiro disco antecipa uma primavera. Se os anteriores são inverno, esse é um solzinho tímido, florido, multicolorido. As músicas do Pitanga em pé de amora anunciam uma estação leve, ritmada com percurssões,atabaques e flautas. E o disco é belo, bem produzido, bem escrito, cheio de qualidades. A voz dos vocalistas é boa, a música casa bonito com as histórias que eles se propõem a contar e o resultado é um trabalho primoroso. Ah, o site deles disponibiliza o disco para downlowd de graça.

O quarto disco é do já conhecido Marcelo Camelo, que lançou há pouco o seu Toque dela. Marcelo vem do disco SOU (2008) seu primeiro trabalho solo depois dos hermanos. Em toque dela  escancara uma musicalidade bem próxima do que lhe apetece, transbordada de um feliz amor. Um amor saudoso, que não causa dor ( ou não apenas só isso), mas  recorda o amante da sutileza do encontro, de um amor se não bem resolvido, bem mais tranquilo, em paz consigo e com o que ele lhe traz. O cd tá leve, poético, lindamente bem produzido, com uma musicalidade fina. ( que quase não sai mais dos meus ouvidos!) 

Onde encontrar:


 

30 de mar. de 2011

Por que era ela, por que era eu.

Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu

Chico Buarque,
em algum momento de momentânea embriaguez. ( Daquelas que só o amor sabe presentear.)


3 de jan. de 2011

Algumas canções e algo a mais.



Tem muita gente talentosa fazendo música pelo nosso Brasil e 2010 foi um celeiro de novos e antigos artistas se destacando em projetos belíssimos. Assim como um ano de novos timbres e gratas surpresas. Dessa safra destaca-se o cuidado artístico com os discos, as artes gráficas, a delicadeza de projetos ambiciosos, a criatividade, ousadia e  invenção. Cantores compromissados com a arte de fazer música e não apenas em se fazerem ouvidos por aí. Mais uma vez a afirmação da música  em con-versação com outras formas de arte; literatura, teatro, fotografia, dança, poesia,cordel ...
O que vimos foram músicos de excelência, com acordes de fazer delirar,chorar, alegrar, dançar, sonhar ... Enfim, projetos inteligentes com profissionais compromissados e gabaritados para o ofício.
Entre tantos discos excelentes que pude comprar e baixar esse ano, destaco 8 títulos que achei primorosos.

  1. Tulipa Ruiz - álbum Efêmera
  2. Cohen e Marcela - álbum Mim - um disco romântico
  3. PatuFu - álbum Música de Brinquedo
  4. Tiê - álbum Sweet jardim
  5. Paulinho Moska - álbum duplo Muito Pouco
  6. Roberta Sá e Trio Madeira Brasil - álbum Quando o canto é reza
  7. Thiago Petit - álbum Berlim,Texas
  8. Zé Renato e Renato Braz - álbum Papo de Passarim 

Que 2011 seja repleto de mais inspirações!

25 de nov. de 2010

Barulhinho bom.



A minha relação com a música é estritamente profissional. Sou uma cantora frustrada, componho letras de bolero para amantes trôpegos,faço shows com maior frequência do que faço silêncio e minto todos os dias pra mim mesma que vai ser a música,enfim,que um dia vai me tirar da lama.
Tirando a ficção que se perde|encontra com a realidade, sou essa descrita aí em cima ( nas horas vagas!) que abusa da música pra chorar algumas delícias e que se alegra com canções que falam de amor,vento e delicadeza.
Nas horas vagas sou musicista,embora não saiba pra onde vá uma nota sequer e desafine bem mais do que gostaria. Pra ficar pior e para  suplício da minha vaidade, não tenho NADA de talento pra um istrumentozinho sequer.
Porém ainda assim sou musicista.
Perdoem-me os que fazem isso com genialidade, dizer isso não é algum tipo de afronta,devo-lhes dizer que os invejo com toda minha força, mas suporto a minha condição de musicista não genial.
Sou musicista por que considero a música uma doce amiga. Assim, tomo a parte que me cabe dessa amizade ( pois sempre sugamos algo de alguém!) e me estampo com sua glória. 
Ultimamente tenho tido boas surpresas com essa amizade solitária ( na maioria das vezes) e é sobre isso que venho conversar com vocês!
Mesmo que esse instrumento (blog) seja limitado nesse quesito, pois não posso enquanto escrevo supor que vocês  estejam desfrutando da mesma melodia que eu, então ... me resta soltar a isca, com alguma esperança ínfima de que vocês possam mordê-la.
Se vocês vão morder, se engasgar, não dar a mínima, achar que soy loca, ... é problema de vocês! Eu escrevo sem intenção que isso mude,como já dizia Clarice! - Mas acredito que muda mesmo assim. Viu,Clarice!  Então, que mude pelo menos a mim.
Isso tudo era apenas para deixar vocês com uma palylist dos trechos, melodias, vozes e suspiros do que tem me dado ultimamente bastante êxtase  e pra afirmar em público que eu sou mais amiga da música do que ela é de mim, talvez por isso me considere  uma musicista por necessidade.

deliciem-se, se estiverem afim!

Palavras do coração - Bruna Caram
Alegre Menina - Mart´nália
In my life - Beatles
Evaporar - little Joy
Pra longe - Cohen e Marcela
Sentimental - Los hermanos
Música- Vanessa da Mata
Unattainable- Little Joy
A hora e a vez - Zé Renato e Renato Braz
Sweet darlin' - She and Him
Mapa- mundi - Thiago Petit
Soneto do teu corpo - Moska
O tempo - Móveis coloniais de acaju
Do amor - Tulipa Ruiz



Continua ...

29 de ago. de 2010

Vidas Volantes


Venho compartilhar com vocês + um achado espetacular. O septeto cearense Breculê!
Vidas Volantes é o cd de estréia deles, muito bem produzido, com letras poéticas,melancólicas,ao mesmo tempo firmes e recheadas de diversidade musical.
O Breculê exala os recantos de Fortaleza através de sua música que paga tributo a mais sofisticada música popular brasileira, que tem origem no choro, passa pelo samba, absorve as dissonâncias da bossa nova, destilando influências de Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Tom Jobim, Chico Buarque, Edu Lobo, João Bosco.  Eles têm o apego à cidade nos versos, sejam eles cheios de lirismo, seja algo mais crônica de costumes de Fortaleza.

Lindo,lindo,lindo.

As Músicas:

01 Breculê
02 Samba do Lago
03 Bem-te-Vi
04 Vidas Volantes (Duna)
05 Réquiem para a Infância
06 D'ela
07 Lágrimas do Tempo
08 Alma Partida
09 Barruada Gagá
10 Vai que a Vida Quer Levar
11 Anauê Exu
12 Vidas Volantes (Instrumental)
13 Réquiem para a Infância (Instrumental)
14 Barruada Ga-gá (instrumental)

14 de ago. de 2010

Para todos.

E se tudo fosse de verdade e ao mesmo tempo de brinquedo?


 A capa do disco.

Como eu fico feliz cada vez que eu venho aqui no blog pra falar algo que me me toca. Seja o que for,quaisquer que sejam as formas de arte,literatura,moda ...
 Você que me lê pode ter certeza que o que chega até aqui  pra você,vem por que antes me tocou/ e toca de uma forma bem especial. Eu gosto da intensidade e  também gosto de estar livre para as coisas que acontecem a minha volta. Quem acompanha o #doavesso a algum tempo já percebeu isso. Aos poucos vocês vão me conhecendo melhor e eu, ADORARIA, conhecer melhor vocês que me lêem e fazem desse lugar um espaço cheio de sentido.
Continuando ... tinha que vir compartilhar com vocês o meu mais novo xodó musical!  O cd Música de brinquedo da banda PATO FU. Meu povo, não existe coisa mais belíssima que ele. Além da voz es-pe-ta-cu-lar da Fernanda Takai, todos - eu disse - TODOS os instrumentos são de brinquedo! Além das participações especiais de crianças, incluindo a Nina, a filha fofa da Fernanda.
Ai ,ai, é uma coisa  linda! Só  vendo,ops! escutando pra sentir de verdade o que é esse projeto.

Vale muito uma parada na sua agitada vida breve!

Vídeo da música primavera:


27 de jul. de 2010

Sorte de um amor tranquilo.

Meus pais,minha irmã e eu,na celebração das bodas de prata dos papis.

Imagino que nem nos melhores sonhos daquele jovem casal despretensioso, há 25 anos, se revelasse um futuro de tantas boas histórias.
Foi o que houve, desde o dia  não tão relevante do ano de mil e tantas bolinhas,pois importante mesmo era o que aconteceria dali pra frente e a incrível sorte que eles teriam em ter sorte.
Ah, isso é de arregalar os olhos! Afinal,não falo de sorte igual a de ser contemplado na mega sena acumulada. Nããão!
Não é sorte de desejar, de fazer prece, de passar uma vida toda a procurar.
Falo de sorte na vida, sorte no amor, sorte de ser feliz.
A que é bem simples e está, por incrível que pareça , ao alcance de todos nós.
Digo mais, até suspeito que a sorte recebeu uma ajudinha deles,uma puxadinha daqui, um ajuste acolá, um empurrãozinho pra lá ...
Afinal, a gente também faz a própria sorte! É o que eles me dizem.
E nessa parceria vão vivendo, ela, ele e a sorte de um amor tranquilo.
Por isso sempre tenho a impressão, quando olho pra eles , que  neles cabem todo o amor que há nesse mundo.
E não me vanglorio por isso, apenas contemplo e torço pra ter a mesma sorte!





 Para escutar enquanto lê:

The Winter - Cantora Patty Ascher 

15 de jun. de 2010

Ela merece várias pausas.


A foto acima é de uma talentosa cantora paulistana que acaba de lançar seu primeiro cd.
Eis Tatiana Parra ,

nome já conhecido deste blog, pois já mencionei seu nome desde que tive contato com sua maravilhosa música.
Agora ela lança o tão aguardado disco, que não podia ter outro nome, outra cara, outros timbres que não fossem os seus. O cd é uma delicadeza e consta com 7 lindas canções, que desabrocham do começo ao fim ,em todos o sentidos!
Que afinação,menina! #dascoisasquequeriater
Tudo é bem especial neste disco, as composições,os instrumentos, a voz de Tatiana.


Como ela diz:

“Sentir-se inteira como cantora pra mim tem a ver com muitas coisas, como não ter medo de se expor; não se colocar acima da música, dos músicos ou do público, mas sentir-se parte desse todo, ter alegria por compartilhar música com as pessoas, em qualquer situação”.



Aos interessados :

Apreciem!

12 de fev. de 2010

O que ando ouvindo- II

Continuando a parte musical deste blog que teve início com os meninos do Móveis,retorno agora com uma cantora,uma excepcional cantora. Ela dipensa apresentações,tanto pelo talento maravilhoso,quanto pela qualidade profissional do seu trabalho,ela não é somente uma cantora,ela vive da música e tem sido uma militante pela qualidade musical em nosso país,mas especifiacamente em nosso estado,Ceará.
Consiglia Latorre  Reside em Fortaleza desde 2002, lecionando no curso de Música da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Entre os inúmeros trabalhos artístico-pedagógicos, é autora da concepção e direção artístico-pedagógico do Festival de Musica da Ibiapaba,que acontece na cidade de Viçosa.


Sua trajetória artística:

Consiglia Latorre é paulista e iniciou sua carreira no movimento Virada Paulista, no Teatro Lira Paulistana, em São Paulo, na década de 1980. Vocalista dos compositores Toquinho e Chico Buarque, de 1984 a 1990, excursionou pelo Brasil e exterior. Nesses entremeios, iniciou sua carreira solo apresentando o show Em Torno do Tom, resultado de pesquisa sobre a obra de Tom Jobim. Como solista na década de 1990 podemos destacar, entre vários, o espetáculo multimídia Máquinas e Motores do artista plástico Guto Lacaz. Além da carreira artística, Consiglia dá grande contribuição didática no campo da MPB, com especial destaque para o ensino do canto popular. É mestre pela UNESP em Metodologia do Ensino do Canto Popular.Coordenou o Núcleo de Música do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Além de professora do curso de Música da Uece ,leciona  no curso de Artes Cênicas do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-CE)

O álbum


Em maio de 2005, Consiglia lançou o CD “Tempo da Delicadeza” pelo selo SESC–SP, um trabalho que, segundo a cantora, transcende lugares e épocas, buscando revelar uma linha de tempo que tem entretecido o imaginário de nossos artistas, liberando um fluxo inventivo renovador de nossa sensibilidade musical.


Contatos:


31 de jan. de 2010

Tempo da delicadeza.


Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.
Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

Chico Buarque

18 de jan. de 2010

O que ando ouvindo - I

Vou fazer uma listinha do tenho ouvido e gostado!
Adicionarei algumas coisitas interessantes que me marcam esses novos talentos e o que eles trazem pra nossa música.

Os primeiros


Móveis coloniais de acaju

O que eles tocam: mistura do rock, ska a ritmos brasileiros e do leste europeu.

Quais instrumentos usam:gaita, trompete, escaleta, flauta, além de guitarra, bateria e baixo

A banda é de onde:  Brasília

um trecho bonito:

" Abandono o que é pronto

E digo adeus
Eu trago os meus sonhos
Pra somar aos seus  "
(Adeus)

Onde encontro o móveis:  http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/

último cd:  C_MPL_TE por trama music *O cd pode ser baixado gratuitamente pelo site.


               

16 de jan. de 2010

feito em música.



Quando a gente canta
Somente
Aquilo que a gente sente
Profundamente
Não há lugar para canção doente
Porque a alegria se derrama quente
Pois
Quando a gente canta
Alegria
A força da canção explode
Se irradia
É como a luz do sol
Sendo a luz da gente
Sendo a luz do dia
Ô oi felicidade
Eu quero andar na vida
Namorando você
Por todos os caminhos onde
Descobri
Que apesar de tudo
O meu povo sorri
Ô oi felicidade
Meu coração não mente
Quanto canta e diz
Faço exatamente o que sempre quis
E é muito importante
Que eu seja feliz.

Gonzaguinha