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18 de set. de 2014

Ventania



Ali, deitada sobre o chão duro do quarto comecei a respirar você.
A consciência do teu ar entrando em mim e me alargando os poros foi de uma dureza sublime.
Respirei ofegante, como quem carrega o sopro de uma existência que já não é mais sua.
O ar, esse elemento etéreo do presente, me invadiu sem pedir licença.
O vento duvidoso de uma inicial calmaria logo evaporou.
Senti sobre o meu corpo o rabisco do vento que procura um espaço não conhecido para existir.
Uma ação sem grandes glórias e um desejo que não se sabe de onde vem e para onde vai.
Sinto que o ar é teimoso, ele insiste em aflorar pequenos delírios e grandes solidões.
Por causa de sua delicadeza, devasta qualquer vegetação imposta.
Por ser imposto, qualquer corpo vira cansaço.
Sempre que me perguntarem direi que foi assim que te conheci, sendo ventania no meu deserto.
E vivo, bem vivo!
Terno descomprometimento com o futuro.
Bem sei que encontrei você de passagem, indo ali buscar alívio e algumas doses de loucura.
De mim, sei menos.
Sei tudo quanto o amor que arde e nada além de toda essa confusão.
Viva, bem viva!
Inteira na errância de amar o que não estava no caminho.
Confundindo a língua com o grito com cheiro com a cor com o desejo com o pavor com a vontade de ser grande sem precisar sair de você. 


27 de ago. de 2011

Sobre o dia de hoje


Nem tudo é mil maravilhas, mas nem tudo também é um horror.
A Psicologia está nessa tensão, 
e nós, seres humanos, também.

Que o os quase 50 anos de profissão reconhecida no Brasil nos leve para além das felicitações e nos provoque também a pensar na Psicologia não como um alvo de maturação a se chegar, mas enquanto ação refletida no seu tempo, que produz efeitos no hoje.

27 de agosto,
dia do Psicólogo!

*Fotografia de Irene Sushocki, com alterações de texto.

1 de out. de 2010

Essa é a nossa luta!!!


Que todos saibam, que a gente não se cale e que a expansão e a formação seja sim de qualidade!!!!
Apoie esta LUTA!

att,
todos os estudantes que compõe o curso de Psicologia da Universidade Federal do Ceará - Campus Sobral

27 de ago. de 2010

(Feliz) dia do Psicólogo?


"Ajudamos a controlar crianças inquietas na escola, a melhorar a disciplina, a controlar a sexualidade; contribuímos com nosso saber para asilar os loucos, as prostitutas, os desempregados; ajudamos a ocultar a produção das desigualdades sociais justificando-as como diferenças individuais; criamos instrumentos de seleção e categorização; pusemos o homem certo no lugar certo; isentamos a escola de suas deficiências com nosso conceito de dificuldades de aprendizagem; chegamos até a justificar acidentes de trabalho pela pulsão de morte; construímos exclusão de minorias através da concepção de patologia nas condutas. Apresentamos como necessária e normal a constituição da família burguesa das camadas médias e condenamos as famílias das camadas de baixo poder aquisitivo à patologia; fizemos do homem branco, europeu, heterossexual, das camadas médias, o modelo da normalidade (...) Justificamos e reafirmamos a normalidade das condutas das camadas dominantes, apresentando-as como naturais. Retiramos desta natureza o conceito de normalidade. Enfim, tornamos normal o que é dominante. Esse tem sido o nosso compromisso social". (Ana Bock)
--
A todos nós que compomos esse emaranhado de teias na produção dos sujeitos,a questão coerente não perguntar se algum dia estaremos isentos da produção dessas práticas aí em cima descritas, por que isso jamais ocorrerá; mas, apesar de tudo isso, poder  se incomodar e persistir 'diariamente' na suspeita e na desacomodação! (E ainda assim movimentar-se através daquilo que escolhemos ser a nossa profissão!)  
Afinal,cada um sabe(?) qual (ou com quem) é o seu compromisso social!



Dia 27 de Agosto, dia do Psicólogo.

13 de jul. de 2010

MUKHTAR MAI,A paquistanesa que não se calou.

Mukhtar Mai, 28 anos, foi condenada por um crime que não cometeu, e pagou por isso ao ser estuprada coletivamente. Ao contrário da maioria das mulheres de seu país, que ao sofrerem essa violência cometem suicídio, ela resolveu falar. E assim deixou o mundo perplexo com seu ato de coragem e transformou o futuro de sua cidade

Violência
Em 22 de junho de 2002, Mukhtar Mai, pertencente à casta de camponeses Gujjar, no Paquistão, foi obrigada a pedir perdão por uma condenação feita pela tribo Mastoi, considerada superior a eles. O crime? O seu irmão Shakkur, de 12 anos, falou com Salma, uma mulher do clã Mastoi. Eles acusaram o garoto de ter ofendido Salma, que tem 27 anos, apenas por ter trocado algumas palavras... Após ser espancado pelo grupo, a polícia o prendeu - sob determinação da tribo. Então, a sua irmã foi escolhida pela família para pedir perdão aos Mastoi, por ser considerada uma mulher respeitável: ensina o Corão para as crianças, recebeu o divórcio do marido e não tem filhos. Ao chegar lá, porém, todos os homens estavam armados e sem nenhuma intenção de misericórdia. Eles a arrastaram até um estábulo e lá ela foi estuprada por quatro homens durante uma noite inteira.

O costume local
Mukhtar foi para o seu quarto aquele dia e ali permaneceu por semanas, pensando em suicídio. Depois de ter sido estuprada, o caminho que ela teria de seguir, segundo os costumes locais, seria cometer o suicídio. Só que as notícias que chegavam até ela eram mais revoltantes: seu irmão só foi solto após a sua família pagar fiança, e a tribo Mastoi ainda o ameaçava. Quando ela percebeu que o seu sofrimento tinha sido em vão, resolveu esquecer o suicídio, tão previsível.

A escolha pela vida
Mukhtar decidiu viver, para lutar por justiça e ajudar outras mulheres a terem uma vida mais digna. Apoiada pelos pais e fortalecida espiritualmente pelas lições do Alcorão, dizia: "Sou só a primeira gota d'água, mas a chuva virá. E muitas gotas de chuva acabam formando um grande rio."
Seu pai, ela, a mãe e quatro irmãos não sabiam ler, nem freqüentaram a escola. Porém, eram muçulmanos devotos, que rezavam cinco vezes ao dia. Mukhtar tinha uma mente privilegiada e conseguia memorizar trechos do Alcorão. Tranqüila, mansa no falar, essa mulher altiva de 1,70 metros de altura pensava, mantendo os profundos olhos negros voltados para baixo: "O Alcorão me protegerá."

A luta por Justiça
Chamada para depor na delegacia, ela foi induzida a deixar as suas impressões digitais em um papel em branco. Embora analfabeta, Mukhtar percebeu que ali seria colocado o depoimento que os policiais quisessem. E assim passou por vários depoimentos, sempre forçada pela polícia local a não dizer a verdade ao juiz. Mas ela conseguiu chegar até ele e falar tudo o que haviam feito, além de reconhecer os policiais que tentavam impedi-la de declarar a verdade. Após inúmeras audiências, o caso já havia repercutido em toda a imprensa.


A família
A família de Mukhtar Mai é da casta mais baixa dos gujar e vivia de escassos recursos dos campos de cana-de-açúcar e trigo. A casa era de barro e tinham somente poucas cabras e bois, uma vaca e um pedaço de terra. Não dispunham de luz elétrica, telefone, nem água corrente. Mukhtar casou-se aos 18 anos e não teve filhos. Um casamento arranjado. Ela não foi feliz. O divórcio era raro no Paquistão rural - a mulher era mal vista, mas os pais a apoiaram e em menos de um ano Mukhtar recebeu do marido o talaq (na lei islâmica, o repúdio do homem à mulher que a libertou oficialmente do casamento e a permitiu voltar para a casa da família em Mirvala.


O ensino que ela recebeu
Ghulam, pai de Mukhtar Mai, lhe ensinou a respeitar os mais velhos e a proibia de mentir. "Temos muito pouco, mas possuímos nossa honestidade", dizia à filha, o que fez com que ela desenvolvesse um forte senso de certo e errado.


A indenização
Por ordem do governo, a ministra federal para as mulheres, Attiva Inayatullah, deu-lhe um cheque de meio milhão de rupias, cerca de Us$ 8.200, (mais do que seu pai ganharia em décadas). Segundo a ministra, não era uma compensação, mas um pequeno símbolo de "nossa identificação" pelo sofrimento pelo qual Mukhtar passou. Mukhtar, que jamais havia visto um cheque, disse: "Não preciso de dinheiro. O que realmente preciso é de uma escola." Ela teve essa idéia ao perceber que a maioria de pessoas que com ela se solidarizavam eram educadas.


O dinheiro da indenização
Então, ela concordou em receber o cheque, desde que pudesse usar o dinheiro para a construção de uma escola para meninas. Determinada, comprou um terreno perto de casa e contratou trabalhadores para a construção de uma escola primária. Ela também ajudou, fazendo tijolos de barro e transportando para o local da obra. A Escola-Modelo para Meninas Mukhtar Mai tomou forma e abriu as portas em dezembro de 2002. O governo pavimentou a estrada e trouxe luz e telefone para Mirvala.

As alunas
Acompanhada de guarda-costas da polícia, foi de casa em casa pedir aos pais que enviassem as filhas para a nova escola. A tarefa não foi fácil, pois ouvia sempre a alegação: "Meninas não precisam aprender a ler"; ou: "Só os meninos precisam ser educados." Mukhtar se comprometeu, então, a mandar uma van para buscar cada menina.


A escola
A escola não tinha luxo. Em vez de cadeiras, as meninas se sentavam sobre sacos de aniagem. Mukhtar se sentava ao lado de algumas alunas, para também aprender a ler e escrever. Buscou mais recursos, vendeu seus brincos e uma vaca e quando a imprensa divulgou a história, chegaram muitas doações. Ela então contratou carpinteiros para fazer assentos e carteiras de madeira para as alunas. Foram instalados ventiladores no teto, tornando, assim, agradável o ambiente sufocante das aulas. Com saldo suficiente, abriu uma escola para meninos em Mirvala e outra para meninas numa aldeia próxima. E mais de 700 crianças de todas as castas (inclusive da casta mastoi) se misturavam livremente nas escolas.

Ajudando outras vítimas
A ação benemérita desta notável paquistanesa não parou por aí. Mulheres, algumas estupradas, outras mutiladas, outras espancadas, outras com cicatrizes horríveis no rosto - vítimas de ataques de ácido, ou sem nariz ou orelhas, punição para supostas adúlteras, procuravam Mukhtar. Foi então criada, ao lado da primeira escola, o Centro Mukhtar Mai de Assistência de Crise da Mulher, para o qual chegava, em média, diariamente, cinco vítimas, em busca de auxílio. Ninguém deixava de ser atendida.

O livro
Depois da repercussão que o caso teve na imprensa mundial, a jornalista Marie-Theres Cunny e Mukhtar Mai lançaram um livro, Desonrada, para contar essa história. O livro já foi traduzido para vários idiomas e lançado em muitos países, inclusive o Brasil.

“Sinto-me como uma pequena planta que começa a crescer.
Ainda precisamos ver os frutos.
 Mas, na vila onde moro, histórias como a minha não acontecem mais”.
Mukhtar Mai


Bento Souto

18 de mai. de 2009

Dia nacional de combate à exploração sexual infantil!


Que não só hoje,mas que todos os dias,todos nós,cidadãos ,lembremos da importância da vida.
Nossas crianças estão sendo silenciadas e vítimas de abusos terríveis que deixam marcas cruéis que refletem durante toda sua vida.
Denuncie,ore,oberve.
A criança ao lado pode estar sendo vítima de abuso sexual em casa,na escola ou na rua.

27 de abr. de 2009

E é chuva ...


Sobral,minha cidade de mais de 155 mil habitantes tem estado em caos devido as enchentes que vem ocorrendo em alguns locais da cidade.A situação é lastimável,famílias desabrigadas,que perderam tudo devido aos alagamentos. A cidade tem estado em alerta,pois o rio acaraú que banha a cidade está acima do seu limite,os açudes das regiões próximas estão todos sangrando e a contigência de pessoas em situação de risco está crescendo a cada dia.
A escola que eu trabalho está sem aula há uma semana devido a impossibilidade de chegar até ela,a água está há 3 metros e a comunidade circunvizinha está em caos.
Muitos abrigos estão sendo improvisados,vemos cenas tristes de famílias chorando e lamentado suas perdas,que muitas vezes são irreparáveis.
Se você mora em Sobral,procure ajudar de alguma forma essas famílias e se você está distante de nós e não faz idéia dessa situação,contribua com suas orações,é de grande importância.

Deus nos abençoe,