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16 de mar. de 2013

Os professores



Quase não publico mais por aqui textos de outros autores. Hoje, reli 'os professores' de Valter Hugo Mãe, que segue disparado como um dos melhores encontros que tive em dois mil e doze e que nessa semana me faz companhia com 'a máquina de fazer espanhóis' da cosacnaify; e senti vontade de registrá-lo aqui. Sem dúvidas é uma das coisas que eu gostaria de ter criado e endereçado aos mestres que tive (tenho) nessa vida. A eles, tantos e tão poucos, que me fizeram (fazem) companhia, desassossego e morada. Há muito de vocês comigo!

--

Valter Hugo Mãe


Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.

A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.
Nunca tive exactamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afectivo do que efectivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didáctica, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe.
Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.
Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.
Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.
Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.
Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um colectivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afecto.
As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.

Referência
Texto publicado no jornal de letras, em setembro de 2012.

25 de set. de 2012

Velha história



Escapar
tirar de mim o nome que te faz viver
desenhar em mim feito sombra o que restamos.
Miúda compaixão pelo que ficamos
e viramos. 

5 de jul. de 2012

Medianeras

Olha eu mais uma vez por aqui em pouco mais de 24 hs - isso se chama Milagre das férias!
Sim, estou compulsivamente viciada em filmes e essa overdose costuma acontecer e passar rápido ( porque sou preguiçosa e blá blá blá) por isso mesmo tenho que aproveitar. 

Acabei de assistir Medianeras - Buenos aires na era do amor virtual, um filme Argentino lançado este ano e fiquei maravilhada. O roteiro é maravilhoso, cáustico e com ótimas sacadas literais. A trilha sonora é bem bonita, além da fotografia de uma  Buenos Aires cinza, solitária e disforme. 

Abaixo meus prt scr com instantes do filme. 









Elenco:
Javier Drolas
Pilar López de Ayala
Inés Efron
Adrián Navarro

Diretor:
Gustavo Taretto







4 de jul. de 2012

Instantes

Agora a pouco terminei de assistir O espírito da Colmeia (1973), de Victor Erice.
Assisti este filme pela primeira vez ano passado, após encontrá-lo em algum desses sites/blog de cinema.
Hoje resolvi revê-lo. E desta vez decidi compartilhar com vocês alguns instantes que me tocaram.¹ 
São imagens. (Que também são uma forma de verbo, de crítica e de impressão). 











"Anna, o que está faltando a Don José?".
"Os olhos" .
"Os olhos. Muito bem. Então coloque-os" ²



¹ Utilizei prt sc para capturar as imagens acima no filme.
² Trecho do filme. 


6 de mai. de 2012

Tiny world.






Um pequeno mundo retrata as mulheres de Jenny Meilihove, uma artista Russa que desde os 11 anos mora em Israel , na cidade de Tel Aviv, que como ela mesmo descreve "é um lugar quente com um sol bem grande".  Poucas coisas sabemos a mais sobre ela, na verdade só sabemos o que ela descreve em sua página no Flickr e no seu blog. Tudo muito sucinto, poético e vagoroso. Ela ressalta: "Actually the truth is, that Jenny lives in her own imagination, that is Jenny's tiny world, that made up of very different items like: clouds, cups of tea, some trees, ships, flowers, colors and A LOT OF MUSIC! YA! Most of the time she is painting that world, sometimes makes some dolls sometimes movies..." 

Gostei das cores de Jenny e dos rostos de suas mulheres.
Particularmente gosto muito de faces e a arte de Jenny me apareceu como um convite.
O mundo é pequeno, mas as intensidades ...

Um domingo solar a todos!


1 de mai. de 2012

Extrañarme







A internet, que é uma loteria, às vezes nos prega uma grata surpresa.
Quando isso ocorre, bendito é esse dia.

Hoje me encontrei com as ilustrações da artista visual Erika Kuhn,
uma mexicana fabulosa, cortante e extraña.

Tem mais trabalhos dela aqui!



10 de mai. de 2011

Peggy Wolf e suas mulheres.

Eu tenho profunda admiração por gente que muda a rota. Aquelas ( poucas) pessoas que dedicam tempo e vida à projetos que realmente fazem sentidos pra si ( o que significa , na maioria das vezes, abandonar velhos medos ,arriscar caminhos tortuosos e ousar novas travessuras).  Isso exige coragem e muita audácia, delírio e paixão.
Foi assim que conheci a  desenhista Peggy Wolf, uma alemã que estudou design e moda por cinco anos e descobriu (assim, no meio da travessia) que "estava mais interessada em desenhar mulheres e suas roupas em vez de desenhar moda." Após algumas experiências profissionais Peggy  mudou de rota, de cenário, de companhia ... e foi se aventurar a desenhar as tais mulheres que lhe inspiravam desde o tempo de faculdade.

Eis o resultado ...




Mulheres de olhares magnos, de cor exalada, pedindo, gritando, nos obervando passar. Desenhar mulheres é atemporal, sempre revela um indizível, apesar da beleza previsivel e da feminilidade que se aguarda. Será que as mulheres de Peggy são isto ou aquilo? Não sei. Olho pra elas e imagino suas histórias, o que fazem antes e depois da pincelada da artista. Sexo imanente para além da aquarela, sedução, piedade, qual poder. De que mulheres falamos, que mulheres pintamos? Que tempo é esse que emana tais figuras?

Enquanto o tempo passa a gente vai vendo que a tal "descoberta" da Peggy nos tempos de faculdade não é tão simples assim como lemos,nem tão bonita e calma como aspiramos. Entre o "descobrir" aquilo que nos inspira e de fato fazê-lo sempre rola uma acirrada confusão. Porém,imagino (ao ver calmamente o trabalho dela) que deva ser uma experiência íncrível, sedutora e arrebatadora. Que bom que ela mudou a rota!

Quer mais de Peggy? Acesse: http://www.etsy.com/people/PeggyWolfDesign

15 de jan. de 2011

Sonho da Menina-do-sol

-Você sabe sapatear?

-Sempre quis aprender.

Logo ele se apaixonou, ela sabia responder, sabia sim, ela sabia o que responder, parecia que tinha calculado cada letra, teria ela uma fórmula para boas-respostas? Ele ficou confuso e respondeu para si mesmo que não, não havia fórmula. Via que a pele dela transpirava frescor, assim como suas palavras. Seria impossível ela ter planejado algo.

-Então se apoie aqui.

Ela se apoiou no ombro dele e segurou sua mão, uma daquelas posições impossíveis de se imaginar quando se descreve, e começaram a dar "saltinhos", acompanhados de tombos e quedas. O vestido da moça-dos-olhos-de-céu, que estava em perfeita sintonia-de-cor com os brincos de pérola, ficava cada vez mais sujo, mais e mais sujo.

-Você está me sujando toda! Riu ela em tom de exclamação.


-Estou lhe ensinando a sapatear, senhorita. Respondeu ele rapidamente, para não dar tempo de qualquer outra reclamação.

Seguiram bailando, sapateando, caindo, entre piruetas e pulos e tombos. Depois de ter perdido a formalidade de um vestido perolado bem cintado a senhorita dos cabelos-de-sol começou a tropeçar na própria risada, um riso leve e azul, como o céu, como seus olhos, que a deixava desnorteada.

-Sobe aqui, vamos! Você precisa aprender a sapatear com equilíbrio!


-Não, não vou arriscar cair na fonte. Olha como estou, meu vestido!


-Não vai cair na fonte, se bem que a água da fonte está mais limpa do que o seu vestido. Confessou o rapaz sorrindo com os olhos. Sobe, senhorita!


-Hum. Não vou não. Respondeu a senhorita franzindo a testa.

O rapaz ficou calado olhando para os olhos dela, concentrando naquele mundo azul. A senhorita fez uma careta engraçada e pulou, se equilibrou, e começou a sapatear na borda da fonte. Parecia que sempre soubera sapatear, a adrenalina queimando em suas veias e uma bela dança surgia, até que por engano as pernas se embaraçam e pluft!

-Eu disse que ia cair! Eu disse! Ela gritava entre gargalhadas e olhos semi-cerrados.


-Tudo bem, estou chegando. E logo ele pulou segurando o nariz.
Ficaram dançando na fonte, com toda a elegância molhada e os sorrisos intactos.

-Não podem ficar ai! Gritou um homem fardado.

Continuaram dançando, não ouviam nada.

-Prrrrrr! Saiam já da fonte!


-Está falando conosco? Respondeu o moço com os olhos ainda fechados.


-Tem mais algum casal de loucos nessa fonte?


-Mas Sr. Policial, só estamos...


-Não quero conversa, estou aqui para cumprir ordens, conversem o que tiverem que conversar com o delegado.


-Mas Sr. só estamos... O que é isso?


-Está tentando me enganar mocinha?


-Não, tem algo branco saindo de seu bolso!


-O nome disso é lenço. Saiam daí, não quero me molhar também!


-Não, eu sei o que é um lenço. Disse a moça fazendo um bico. Isso é...


-Uma flor! Uma flor? É, uma flor. Mas... uma flor? Uma flor... O moço ficou se indagando e respondendo, como em um monólogo eterno.


-O que? Uma flor? O policial continuou a indagação olhando para seu bolso, mas sem confirmações.


-É, uma flor. Disse a moça. Uma flor que tem o talo vermelho. Vermelho? Como...


-Não é o talo, é uma veia! Disse o rapaz em êxtase.


-Meu Deus! A flor não está saindo do meu bolso, está saindo do meu coração. E vocês dois, não se atrevam a fugir.

Quando o policial foi pegar as algemas, viu que tinham desaparecido, e no seu lugar havia apenas um livro de poesia, compacto e infinito. O rapaz e a moça saíram da fonte e suas roupas agora estavam limpas, contudo encharcadas, saíram dançando, agora banhados pelo restinho de sol que aquecia levemente seus trajes e suas peles. Não sabiam nomes, assim como não sabiam onde estavam, sabiam que havia uma flor, água, céu e muito espaço para continuar sapateando, dançando na chuva que estava prestes a cair.


Rodrigo Sampaio



                                                                                                               

20 de nov. de 2010

Sobre escrever.

Paulo Brabo*

Já foi dito várias vezes – e, ainda mais vezes, colocado por escrito, – mas escrever é para gente não-resolvida. Quem é verdadeiramente livre e vital não encontra brecha de vida para vaquejar palavras para dentro de uma página.
Todas as artes requerem do oficiante uma dose de auto-obsessão, mas o escritor é dentre todos o mais diretamente absorvido com a sua imagem. O escritor, mesmo quando fala do mundo e dos outros, tagarela apenas de si e para si; ele pode chegar a tornar-se universal, mas apenas na medida em que for fiel à sua obsessão com a auto-elucidação.
Deve ficar claro que não é o fato de ser escritor que o torna obcecado com a sua imagem. O trajeto é oposto: é de fato sua auto-absorção – o ruído ensurdecedor produzido pela sua própria máquina – que o conduz a ser escritor. A precaríssima tese de cada autor é que ele mesmo pode ser, mesmo que por um instante, mais interessante do que o mundo inteiro; é só essa intemperança que o levará a escolher uma vida em que possa tentar impor diariamente a sua supremacia sobre o universo.
E justamente nisso, em que o escritor só sabe se ocupar da sua imagem, é que fica claro o seguinte: escrever é a arte de viver compondo, corrigindo e grifando como gostaríamos de ser lembrados. É desenhar, aprovar e erguer a plataforma de nossa própria justificação.
Enquanto a maior parte de nós contenta-se em viver, o escritor toma as ferramentas da vida como insuficientes para explicar ao mundo quem ele realmente é. O arcabouço do dia a dia – levantar, trabalhar, esquecer, amar – lhe parece vaso insuficiente para saciar a sede da sua autoexpressão. Escritor é o cara que, considerando a vida escassa e acanhada para conter e manifestar a sua singularidade, passa a vida redigindo o seu próprio epitáfio.
É obsessão com a morte no sentido mais negativo e imaturo da coisa. Ou, dito no vocabulário de uma outra mitologia: a letra mata. Essa carga letal não impede, no entanto, que o autor gaste seus dias buscando na palavra um simulacro de vida. É na verdade essa quase-vida, esse paliativo do espírito, que o atrai na palavra escrita.
Já quem pisa o terreno da integridade e da suficiência não precisa, dizem-me, desses subterfúgios.
É portanto muito conveniente e muito elucidativo que a Bíblia tenha sido colocada por escrito, e que o Verbo encarnado – o Verbo encarnado, veja bem – não tenha jamais se inclinado sobre o papel. Em sua condição de texto, a Bíblia denuncia tacitamente a limitação de seus autores, bem como sua rejeição essencial de um mundo não definido pelas palavras e além das palavras contido.
O Filho do Homem, por outro lado, é um cara que existia e que tinha mais o que fazer. Os notáveis escrevem, mas o grandes limitam-se a viver, e nisso são indistinguíveis da gente comum.

 

* * *

Portanto, embora seja esperado que eu mesmo gaste tanto tempo escrevendo, é também paradoxal, porque só chegarão a me conhecer os que não lerem os meus livros – ou os que solenemente os ignorarem.
Talvez ninguém tenha me descrito e me ensinado melhor do que o atarefado Gabriel, que não deve ter ainda sete anos e decretou debaixo do sol de um verão na Toscana: sei vecchio, ciccio e non sai dire nulla: “você é velho, gorducho e não sabe dizer nada”. E disse isso sem afrouxar o abraço que estava me dando, e sem alterar em nada a consideração com que sempre me tratou.


* Brabo escreve o Bacia das almas , onde as ideias não descansam.


14 de ago. de 2010

Para todos.

E se tudo fosse de verdade e ao mesmo tempo de brinquedo?


 A capa do disco.

Como eu fico feliz cada vez que eu venho aqui no blog pra falar algo que me me toca. Seja o que for,quaisquer que sejam as formas de arte,literatura,moda ...
 Você que me lê pode ter certeza que o que chega até aqui  pra você,vem por que antes me tocou/ e toca de uma forma bem especial. Eu gosto da intensidade e  também gosto de estar livre para as coisas que acontecem a minha volta. Quem acompanha o #doavesso a algum tempo já percebeu isso. Aos poucos vocês vão me conhecendo melhor e eu, ADORARIA, conhecer melhor vocês que me lêem e fazem desse lugar um espaço cheio de sentido.
Continuando ... tinha que vir compartilhar com vocês o meu mais novo xodó musical!  O cd Música de brinquedo da banda PATO FU. Meu povo, não existe coisa mais belíssima que ele. Além da voz es-pe-ta-cu-lar da Fernanda Takai, todos - eu disse - TODOS os instrumentos são de brinquedo! Além das participações especiais de crianças, incluindo a Nina, a filha fofa da Fernanda.
Ai ,ai, é uma coisa  linda! Só  vendo,ops! escutando pra sentir de verdade o que é esse projeto.

Vale muito uma parada na sua agitada vida breve!

Vídeo da música primavera:


7 de jul. de 2010

Menino inspirado.


"[...] Havia alguma coisa já que o arrastava a outros reinos, algum bálsamo, uma ânsia de mudança, uma rebeldia contra tudo aquilo que cortava as asa dos anjos, em seus olhos eu via o quanto era solta a sua imaginação e melancólica a sua fantasia de criança, como ele era insatisfeito com o que via ao seu redor, como preferia as coisas estranhas e curiosas, e com tinha inclinação para o devaneio, com era arrebatado pelos sentimentos, ou melhor, pela paixão."

Trecho extraído do romance Dias&Dias de Ana Miranda, pág 24.
Palavras ditas por Feliciana em alusão a Gonçalves dias, poeta que inspira o livro.

1 de jul. de 2010

Sonhos aquarelados.

Sonhos Aquarelados- Pintura de Martha Barros


“Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei,
Continuamente me estranho
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma
Quem tem alma não tem calma(...)"

Fernando pessoa

4 de jun. de 2010

Adaptei-me.


Adaptei-me.

Não consegui ser motivo
de escândalo, vítima
de ódio e da vingança,
não sofri nenhuma doença séria,
o atestado médico não passou de um dia,
não me cuspiram no rosto,
não me deserdaram,
não me apredejaram,
não tive nome estranho.
Adaptei-me,
imcopetente
até para a desgraça.




Como no céu, pág 95.
Fabrício Carpinejar.

3 de jun. de 2010

a inspiração primeira.


Certas Canções
Composição: Tunai/ Milton Nascimento

Certas canções que ouço
Cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece
Como não fui eu que fiz?
Certa emoção me alcança
Corta-me a alma sem dor
Certas canções me chegam
Como se fosse o amor
Contos da água e do fogo
Cacos de vidas no chão
Cartas do sonho do povo
E o coração pro cantor
Vida e mais vida ou ferida
Chuva, outono, ou mar
Carvão e giz, abrigo
Gesto molhado no olhar
Calor que invade, arde, queima, encoraja
Amor que invade, arde, carece de cantar