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9 de ago. de 2013

A caminho


A maternidade sempre foi um mundo muito distante pra mim. Poucas vezes acompanhei de perto uma gravidez. Caduco crianças, pego no colo, nino bebês alheios, brinco com os mais próximos e os andarilhos, mas gravidez mesmo... tempo, evolução, mudanças, elasticidade, dores , chutes e movimento, é uma gramática muito nova para mim. 
De alguns meses pra cá isso mudou um pouco. Dois amigos (bons compadres!) ficaram grávidos. A gravidez e tudo que a circunda passou a ser mais rotineiro, interessante e vivencial. Acompanhei, desde então, muito próxima a eles, esse desafio de tornarem-se pais. 
Raphael e Diana começaram devagarzinho, como quem não sabe o que virá.  Sempre achei bonito e honesto o modo como eles estranhavam aquela novidade toda. Aqueles velhos clichês sobre 'realização plena' e 'felicidade única no universo' se transformaram em outra experiência pra eles. Talvez, em vontade de descobrirem-se pais junto com o João Marcelo.
 Isso me marcou profundamente na relação dos três. Admirei mais ainda tudo aquilo. Aos poucos, fruto do tempo, do caminho e do movimento, eles foram se aconchegando e dando espaço para que João Marcelo fizesse morada, abrigo e companhia.


A partir deles me nutri de admiração pelo maternar. Observando, vi que tornar-se outro é se dispor de brechas para que algo surja e extrapole o que somos. Gerar um filho pode ser isso - extensão e abertura (embora não sem dor, cansaço, gozo, leveza, alegria, estranheza) para a multiplicidade. 



Por isso, fiquei muito honrada pelo convite para fotografar esse momento especial da vida deles. Sabidos da minha condição de “fotógrafa” não profissional + equipamento simples eles insistiram na aposta e foram bastante complacentes com o meu amadorismo. “Queremos seu olhar, Thami. O resto é resto”. Então, eu fui... sempre acreditei que existe potência nos restos.


 Raphael e a Diana são daquelas pessoas prenhes de entusiasmo,sabe?! Eles são generosos e adoram uma aventura. Então, nos divertimos um monte, foi um dia proveitosíssimo. Um sábado de sol aberto, ventilado e propício para um ensaio maravilhoso. 


Queria agradecer a eles pela confiança. Eu também confiei que nossa parceria daria um resultado lindo (como tem dado em todos esses anos de amizade!). Foram, ao todo, mais de treze horas de ensaio. E o tempo não define o sentimento que tenho ao ver o trabalho pronto; o gesto, a leveza e o registro dessa história deliciosa. 




O ensaio fotográfico ainda rendeu um registro em vídeo.  
Assista Três. 



Gratidão, compadres! 
Alma em festa.
Que o João Marcelo sinta o amor que dedicamos a ele nesse dia. 



24 de dez. de 2011

Ensurdece-dor


Depois de escutar aquela sirene tocando incansavelmente na noite passada, 
fiquei me perguntando (também incansavelmente) sobre a petulância do barulho.
Esse mesmo que, assim como os humanos, diferem pela repetição, pelos ouvidos que lhe ecoam e pelo limiar dos que lhe suportam.
Fiquei a pensar o quanto a gente vai se em-barulhando durante a vida, juntando toda essa irmandade compladecida. Tintilando sons pelas vísceras ensanguecidas e pelo estômago oco de ausência ou pelo estridente choque dos dentes e sorrisos em demasia ...

É tanto barulho por aí, por aqui, que hoje, ao menos por hoje, quero gostar do oposto.
(Foi o que pensei quando escutei aquela sirene soar.)
  
      

   

22 de nov. de 2011

Salvador Dali e Alice in wonderland.

A alice de Caroll habita na minha memória desde tempos muito longínquos. Comecei a viajar pelo mundo das maravilhas com um livreto molenga de poucas letras e com muitas imagens de animais falantes, xícaras e baralhos. Depois, com meu alfabeto mais firmado, ganhei uma versão mais robusta da história, de letras frondosas e douradas. Levava ele pra todo e qualquer lugar, recorrente companhia das minhas ausências nas aulas de educação físíca.
Cresci com os livros e com os filmes de desenhos sobre a tal aventura no país das maravilhas e no país dos espelhos. Até hoje essas memórias povoam meu imaginário. Daí que fico a pensar se não tivesse sido a alice, se tivesse sido outro personagem ou outro livro, como seriam minhas memórias? Claro que seriam diferentes, só que nunca saberei o quanto. (Mais um detalhe que aprendi com essa Alice sobre tempo e velocidades.)
Por isso sou perdidamente apaixonada pelo mundo imagético, imaginário e insano que cerca esse livro. Na verdade, cresci um tanto desde o primeiro livreto molenga de um tempo atrás (que hoje me parece tão pequeno e veloz de ler), porém não canso de dizer que já experimentei Wonderland de muitas formas, sempre a partir de novas metáforas e sentidos. E isso é que é um barato nisso tudo!
Alice e suas imagens de travessia  nunca deixam de me afrontar, por isso cada produção que surge em torno dessa história me desperta tanto frenesi. Foi assim com o burburinho do filme de Tim burton (2010) e agora é com a descoberta das ilustrações surrealistas do artista plástico espanhol Salvador Dali (1904-1989) para o livro.
Deixo que as imagens de Dali falem por si, assim como gritaram aos meus sentidos quando as vi. 
Que a alice de Caroll, encarnada nessas imagens por Dali, continue a mudar tantas vezes desde sempre e sempre, e produza belas produções no mundo e tantas inspirações significativas em nós!





Curiosidade: o artista realizou 12 heliogravuras (um tipo de impressão de ilustrações por meio de placas gravadas em baixo-relevo) para cada um dos capítulos do livro, além de uma gravura original assinada em quatro cores na frente. Quer ver essa preciosidade clique aqui!

8 de mai. de 2011

Desligando o abajour de hoje!


O dia tá se esvairindo. Na verdade ainda resta uma noite tímida no ceú e uma negritude sem estrelas pra contar histórias pra gente dormir sonhando.  Ainda dá tempo de um último respirar. Um derradeiro fôlego, talvez. E o que me consola é que nessa moldura sempre há de caber amor de filha e carinho de mãe. Absortos, indolores, magníficos de nobreza e renovados por mais um dia de aconchego ... que não se acaba no domingo mais encarnado do ano, mais florido,mais divino.                      Pelo contrário, renova.Traz novidade e vida! 

18 de out. de 2010

Um grito, um suspiro.




Ninguém sabe a natureza dos meus infernos diários

_________________________
Natureza Noturna
Fagner




26 de abr. de 2010

Mesmas inquietações.

por Adriana Lisboa,

Estou desde ontem pensando numa coisa que o meu irmão André me escreveu num e-mail: “Mas como tem gente escrevendo no mundo, não? Uma barulheira sem tamanho.”

As palavras de André, que certamente ele não escreveu medindo seu potencial de gênese ou de apocalipse, me levaram direto, mais uma vez, à pergunta que nunca quis calar: escrever por quê? Por que colocar mais um livro nas livrarias, mais um, por que passar dois anos perseguindo uma história que talvez não tenha relevância no mundo, vê-la editada ou não, resenhada ou não, lida ou não, comentada ou não, premiada ou não, apreciada ou não?

Essa sempre foi, para mim, uma pergunta difícil – quase impossível – de responder. Eu não diria, como o Saramago diz (numa imagem que contudo é bela), que seria o mesmo que perguntar por que os pássaros cantam: os pássaros cantam por função biológica. Nós escrevemos por opção. Mas o problema comigo é que nunca fiz essa opção. Não acordei um dia e disse, muito bem, acho que vou ali ser escritora. Eu escrevo histórias curtas, médias e longas e poemas em prosa e em verso praticamente desde que aprendi a escrever. No meu primeiro conto nevava na Baixada Fluminense, mas eu não tinha nenhuma intenção por trás da neve. Apenas nevava na Baixada Fluminense.

Tantas vezes neva-na-Baixada-Fluminense nos meus livros e eu não sei dizer por quê. Apenas neva. Eu não tenho um manifesto, não defendo uma determinada postura, não sou favorável nem desfavorável à literatura “fácil” ou “difícil”. Não tenho um projeto literário, não bolei uma trajetória para mim mesma e nem sei se estarei escrevendo daqui a dez anos (embora exista uma grande chance de que venha a estar, somente porque escrevo há mais de trinta).

Então, por quê? Não é para mudar o mundo. Não é para Demonstrar, Provar, Denunciar, Divertir, Ensinar, não sei nem mesmo se é para Sugerir. Talvez essa seja uma daquelas perguntas sem resposta que a cada vez que é feita revela com mais minúcia a sua condição de sem resposta. Quando me deparo com ela, então, acabo respondendo: é porque gosto.

Contudo, nem sempre eu gosto, nem sempre é fácil, nem sempre é pura alegria em prata e branco. Podemos racionalizar as respostas, espremer a lógica até produzir um suco de cor e sabor agradáveis, mas não acredito que haja uma resposta lógica a esse por-que-escrever. Então, na falta dessa resposta, dizer que é porque gosto me parece a coisa menos distante da verdade – e pelo menos não é uma justificativa pomposa, grandiloquente, ambiciosa. Não é para nada. É pela coisa em si. Escrever é para e por escrever.

Com isso, sei que estou acrescentando mais ruído ao ruído do mundo, algo que o André tão bem me recordou ontem, sem querer. Então acho que é preciso o contrário do ego, o contrário do umbigo, o contrário do olha-só-a-minha-foto-na-revista, a menor valorização possível da minha relevância como escritora. Se o que eu escrevo, o meu ruído, tiver alguma graça para alguém, isso sempre será consequência – será sempre inesperado e imponderável .E eu escrevo, só isso. E por enquanto.


Adriana escreve o blog Caquis Caídos.

12 de abr. de 2010

sopro.



Vede, vede, é dia já... Vede o dia... Fazei tudo por reparardes só no dia, no dia real, ali fora... Vede-o, vede-o... Ele consola... Não penseis, não olheis para o que pensais... Vede-o a vir o dia... Ele brilha como ouro, numa terra de prata. As leves nuvens arredondam-se à medida que se cobrem... Se nada existisse, minhas irmãs?... Se tudo fosse, de qualquer modo, absolutamente coisa nenhuma?

Fernando Pessoa: O marinheiro

26 de mar. de 2010

relação bélica imaginária.

(...) Vamos rir, chorar e aprender. Aprender especialmente como casar Céu e Terra, vale dizer, como combinar o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias com a transcendência radiosa do espírito, a vida na plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais, a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade. E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma Aldeia Comum, generosa e bela, o planeta Terra."

Leonardo Boff
Casamento entre o céu e a terra. Salamandra, Rio de Janeiro, 2001.pg09

24 de mar. de 2010

é a mesma ruazinha sossegada.


É a mesma ruazinha sossegada,
Com as velhas rondas e as canções de outrora...
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!


Mas parece que a luz está cansada...
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora...
Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos...
Mas para que?... Se não adiantam mais!...


Pobres cartazes por aí afora
Que nada anunciam: - ALEGRIA – RISOS
Depois do Circo já ter ido embora...

Mário Quintana.

22 de mar. de 2010

dito.

Quem não acorda ranzinza

 na segunda-feira não foi

feliz no final de semana.

Fabrício Carpinejar.

19 de mar. de 2010

Um mais um

(Eu ganhei um presente!
E que presentaço,é uma crônica! )

Ps. Olhem que dedicatória mais linda!

Para a senhorita Thamila Cristina, uma promessa, um presente.
Melancólico, porém meu.



Dois anos.


É tempo demais. Até pra mim, que desaprendi a contar só pra não me magoar mais ainda. Fomos morrendo durante esse período. E nascendo de novo. Dois mil quilômetros.Dois anos.Dois caminhos diferentes.
No começo, havia aquela indecisão, o 'bom dia' virtual, as cartas, os emails, as conversas demoradas e descritivas sobre o dia comum. Era um consenso mudo. Nada sobre nós dois,apesar de sempre ser em relação a nós dois. Ele precisava estar lá. Eram a vida, os sonhos dele. Sua carreira, seu futuro, seu suor. Tentamos fingir que não havia distância,mas o sofá vazio parecia jogar na minha cara o contrário.Como eu queria uma saída de emergência pelos fundos.
Ele começou a sumir.Tão clichê.Ele já tinha sumido.Foi difícil,mas decidi sumir também.
Vi que talvez pudesse viver sem ele. Aprendi a viver sem ele. Me acostumei a ser sozinha.
Amor platônico pode se tornar real, mas amor real não consegue virar platônico. O inverso não é válido. Ele desaparece nos bons modos e na tentativa de reproduzir ou prolongar um afeto antigo.Amor real é viciado no corpo. Não suporta menos do que foi ou se alimentar da saudade. É uma pena que isso ocorra, é uma decepção diante do nosso romantismo e idealização, registra inclusive uma ausência de esforço.
Amor tem mais chance de dar errado do que certo, porque inventamos restrições e desculpas para não avançar. Amor tem que superar o antivírus das suspeitas e desconfianças. Sua eficácia depende do bombardeio, da pressa, da voracidade, da insistência do ataque. Para derrubar a vontade de se defender da companhia. Demônios coçam os nossos pulsos pelo conforto. Por isso, no início do namoro, os casais não se largam. Não podem se largar. Não podem ficar um minuto sem se falar, para não deixar que se reestabeleça o sistema de proteção.
Depois de alguns meses dando breves e enganadores 'bom dia' virtuais, descobri pelo orkut de um amigo que tem um amigo que é amigo dele. Status: namorando.
Com a distância, o antivírus dele retornou a funcionar. Ele não partilhou comigo o sofrimento da separação. Converteu a tristeza em desconforto orgulhoso. Daí sua frieza e neutralidade. Não pediu ajuda. Não contou que mudou. Há uma imunidade estratégica no ato: ele estipulou um limite para minha dor, eu era o limite e não pretendia repetir a cicatriz.
Ele soube que sofri com isso. Com o fato de não ter ficado a par de algo tão importante. Ele sabia que eu o amava. Que conseguia conviver resignadamente com isso,mas que o amava. Que falava dele quando amigos em comum apareciam, que como quem não quer nada mandava um abraço e um beijo por sua irmã,na esperança de que ao ouvir isso dela pelo telefone, talvez recebesse eu também uma ligação sua retribuindo o gesto.Ele sabia de tudo isso.Talvez até se comovesse com isso.Mas admirar a história não significa ter força para mexer nela. Alguns perdem o passaporte para regressar ao passado.
Os 'bom dia' um dia acabaram. Eu acho que mandei abraços e beijos demais pela irmã dele.
O cansei,talvez. O intimidei,provavelmente.

Dois anos.


Foi o que levei pra descobrir que respeitar a limitação dele era a minha única chance de reconciliação. Não houveram brigas,mas o silêncio.Isso foi pior.Buscava uma reconciliação para o que havia antes de o 'nós' tornar-se algo tão forte a ponto de machucar. Antes éramos um mais um. Talvez mais que só dois. Éramos amigos.
Preciso pelo menos de um bom dia. Mas, decidi ser educada com outras pessoas

Bruna Clézia,
Estudante de psicologia e autora do blog "Vômitos emocionais".



desatino.


“Se isto é verdade, e é verdade, Deus não está no alto, fora do mundo, mas em cada partícula de matéria, inerte ou viva. Deus é a própria matéria. Queremos livre a filosofia, queremos livre a pesquisa científica. Queremos autonomia do pensamento e da ciência de qualquer autoridade... Enxotemos das universidades os pedantes e os carolas. Só assim pode nascer um novo homem”.

Uma parte do discurso aclamado de Giordano Bruno no filme homônimo.


12 de mar. de 2010

Cardiocenas


Menino fazendo casinha de papelão.

Um copo d'água dado a um estranho com sede.

Mulheres sentadas à calçada tomando café com tapioca.

Casal que se beija no banco da praça.

Fim de tarde silencioso.

Acordar de manhã com o canto de pássaros.

Alguém grita gooooool pelo seu time.

Um grupo de Reisados sorrindo pela noite.

Alguém chora ao se despedir na rodoviária.

Mãe segura a mão do filho ao atravessar a rua.

Filha ajuda pacientemente mãe idosa a se sentar.

Uma mão desconhecida levanta um corpo caído na rua.

Olhos marejados com beleza de melodia.

Corpo extasiado entre lencóis.

Afago de cabelo.

Pai que busca filhos na escola.

Ver filme junto.

Barulho na cozinha em dia de almoço de família.

Fotografias antigas na gaveta.

Rasgar papéis.

Olhar, olhar, olhar vocês.


gmm, 24/01/2010
Escrito por Gislene Macêdo.

22 de fev. de 2010

aleatórios.

"É preciso grande humildade para coabitar comigo, para não ter medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, e não camuflá-las com auto-ajuda. Mas só tenho como ser o claro do dia sendo, também, o escuro da noite. Do contrário a minha vida é rasa e os meus sentimentos, pequenas pérolas falsas. Dito de outro modo: só tenho como acompanhar e me fazer acompanhar se descriminalizar em mim a solidão."

Trecho de Solidão,Adriana Lisboa.

20 de fev. de 2010

aleatórios.



"Falai de Deus com a clareza
da verdade e da certeza:
com um poder

de corpo e alma que não possa
ninguém, à passagem vossa,
não O entender.

Falai de Deus brandamente,
que o mundo se pôs dolente,
tão sem leis.

Falai de Deus com doçura,
que é difícil ser criatura:
bem o sabeis.

Falai de Deus de tal modo
que por Ele o mundo todo
tenha amor

à vida e à morte, e, de vê-Lo,
O escolha como modelo superior.

Com voz, pensamentos e atos
representai tão exatos
os reinos seus

que todos vão livremente
para esse encontro excelente.
Falai de Deus"

Cecília Meireles

11 de fev. de 2010

aleatórios.


Chove. Há silêncio, porque a chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme.
Quando a alma é viúva

Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece

Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…
Não paira vento, não há céu que eu sinta.


-  Fernando Pessoa


8 de fev. de 2010

Eis a escolha.


Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo á ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar - ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno.


- C.S.Lewis, no seu livro Os quatro amores

6 de fev. de 2010

aleatórios.


Já prescrutamos bastante as profundezas dessa consciência e é chegado o momento de continuarmos a examiná-la. Não o fazemos sem emoção ou estremecimento. Nada existe mais terrível que esse tipo de contemplação. Os olhos do espírito não podem encontrar em nenhum lugar nada mais ofuscante, nada mais tenebroso que o homem; não poderão fixar-se em nada mais temível, mais complicado, mais misterioso e mais infinito. existe uma coisa que é maior que o mar: o céu. Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior de uma alma.

Victor Hugo




Ps: Um ótimo sábado a todos,regado em abundância de experiências da alma.

1 de fev. de 2010

aleatórios.


"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito - por coragem. Será?
Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia."


- João Guimarães Rosa